Cabeça Erguida: Por Que o Povo de Terreiro Perdeu o Medo de Dizer Quem É
- ATUCO - NACIONAL

- 11 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 2 horas

Meu irmão, minha irmã de Axé, que a paz e a força dos nossos guias estejam com você.
Faça um exercício de memória e lembre-se de como era a nossa realidade há quinze ou vinte anos. Lembra de como muitos entravam no terreiro quase se escondendo, com medo do olhar do vizinho, de perder o emprego ou de ser julgado pela própria família?
Quantas vezes vimos irmãos de fé dizendo por aí que eram "católicos praticantes" apenas para evitar o peso do preconceito e da discriminação? Nós carregamos esse silêncio forçado nas costas por muito tempo. Mas hoje, o Jornal do Axé traz uma notícia que é um verdadeiro grito de liberdade: esse tempo de se esconder acabou.
Os Números Que Comprovam a Nossa Força
Dados recentes, amplamente debatidos nas nossas rodas de conversa e noticiados na imprensa, mostram uma virada histórica. A porcentagem de brasileiros que se declaram praticantes de Umbanda e Candomblé simplesmente mais que triplicou na última década.
Saltamos de estatísticas tímidas para mais de 1,8 milhão de homens e mulheres que, com orgulho, bateram no peito e disseram para o entrevistador:
"Eu sou do Axé!"
O Rio Grande do Sul desponta na liderança desse orgulho, seguido de perto pelo Rio de Janeiro e por São Paulo. O que isso significa na prática? Significa que as nossas religiões não estão apenas crescendo; o que mudou de verdade foi a nossa coragem de autodeclaração.
Nós sempre estivemos aqui. As nossas raízes sempre alimentaram a cultura, a música, a culinária e a espiritualidade deste país. A diferença é que agora o povo perdeu o medo. O manto da invisibilidade, que a intolerância tentou nos impor, foi rasgado pela nossa própria voz.
O Que Essa Visibilidade Representa Para o Seu Terreiro?
Por que esses números são tão importantes para o seu terreiro, aí no seu bairro? Porque números geram respeito. Quando o Estado percebe que nós somos milhões, ele é obrigado a nos enxergar. A visibilidade estatística se transforma em força política e social, garantindo:
Proteção Institucional: A pressão para a criação e manutenção de delegacias especializadas contra crimes de intolerância religiosa.
Direito ao Solo: A garantia de que os nossos direitos de uso do espaço, alvarás e funcionamento sejam respeitados perante a lei.
Políticas Públicas: A destinação de amparo e recursos para as comunidades tradicionais de terreiro.
Como bem lembrou o Babalaô Carlos Alberto Ivanir dos Santos, pautar as nossas tradições é também um dever de cidadania. Exigir os nossos direitos em uma sociedade que ainda guarda preconceitos só é possível quando botamos a cara para fora e mostramos o tamanho da nossa força.
Uma Nova Era de Orgulho e Resistência
A ATUCO está aqui para celebrar essa nova era de cabeça erguida junto com você. Cada vez que você veste o seu branco com orgulho para ir ao terreiro, e cada vez que você assume o seu fio de conta no pescoço na rua, você está ajudando a escrever essa nova geografia da fé no Brasil.
Nós não somos uma minoria silenciosa. Nós somos uma multidão ancestral que resistiu ao tempo, à dor e à opressão. Erga a sua cabeça! Tenha orgulho do chão que você pisa e do Orixá ou Guia que te rege.
O Brasil finalmente está vendo o tamanho do nosso Axé, e daqui para a frente, o nosso tambor vai bater cada vez mais alto.
Redação | ATUCO
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