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1ª Parada do Orgulho Macumbeiro Faz História nas Ruas de São Paulo

Atualizado: há 1 hora

A cidade de São Paulo foi palco de um acontecimento que já nasceu marcado na história dos povos de terreiro. No dia 31 de maio de 2026, as ruas do centro da capital paulista foram tomadas pela 1ª edição da Parada do Orgulho Macumbeiro, uma mobilização cultural, social e política que reuniu centenas de pessoas em defesa da liberdade religiosa e do combate feroz ao racismo estrutural.

Idealizada e coordenada por Mãe Su de Nanã, importante liderança religiosa, mulher preta, nordestina e referência na luta pela valorização dos povos de Axé, a iniciativa nasceu do compromisso com a visibilidade, o reconhecimento e a garantia de direitos para as comunidades tradicionais de matriz africana.

Mãe su de Nana

A realização da Parada no mês de maio possui profundo significado histórico. O período remete à assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, marco que extinguiu oficialmente a escravidão no Brasil, mas que não garantiu reparação social, econômica ou territorial à população negra. Os efeitos dessa ausência de reparação ainda podem ser observados nas desigualdades sociais, na violência estrutural, no racismo e na

intolerância religiosa que atinge milhares de brasileiros.Nesse contexto, a  Parada do Orgulho Macumbeiro surge como um espaço de afirmação da identidade afro-religiosa, de preservação da memória ancestral e de fortalecimento da luta por igualdade e respeito. Mais do que uma manifestação religiosa, o evento representa um ato público de valorização da cultura afro-brasileira e de enfrentamento às diversas formas de discriminação que ainda afetam os povos de terreiro.


A escolha do termo "macumbeiro" também possui um significado importante. Durante décadas utilizado de forma pejorativa para ofender praticantes das religiões de matriz africana, o termo foi ressignificado pelos participantes como símbolo de pertencimento, resistência, ancestralidade e orgulho de sua fé.


A organização da primeira edição contou ainda com a participação de *Isabela Cardoso (Bella Oyá), Isabela Alves (Afrobela) e Nanda Omiakesi, responsáveis pela articulação política, mobilização comunitária e construção coletiva da iniciativa.

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A concentração aconteceu nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo, local emblemático da história da cidade, seguindo em caminhada pelas ruas do centro até a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu. O trajeto foi escolhido por seu simbolismo histórico, conectando espaços que representam diferentes momentos da formação social e cultural paulistana.


Enquanto o Theatro Municipal tornou-se um dos principais símbolos do processo de modernização da cidade no início do século XX, a Igreja do Rosário dos Homens Pretos permanece como um importante patrimônio da resistência e da memória da população negra paulistana, preservando tradições, histórias e manifestações de fé ao longo dos séculos.


A primeira edição reuniu aproximadamente 800 participantes, entre lideranças religiosas, sacerdotes, sacerdotisas, médiuns, simpatizantes, pesquisadores, coletivos culturais, organizações sociais e representantes do movimento negro.

Parada do Orgulho Macumbeiro
A mobilização contou com a participação de diversos terreiros, casas religiosas, coletivos e instituições, entre eles o Movimento Nossa Cara Preta, Ilê Axé Alaketu Oyá Oni Lewá, Observatório de Violência Contra as Mulheres CAAF/UNIFESP, Espaço Espiritualista Pai Antônio das Almas, Casa Espiritual Zé Curisco, Yabás – Saber e Cura, TUJMO Osasco, Casa de Caridade Cacique Pena Branca e Vovó Catarina do Congo, Casa de Catimbó Jurema Sagrada Zé Pelintra e Maria Luziara, Instituto de Estudos Espiritualistas, Cantinho de Orações Caminhos de Aruanda, Templo Iansã Guerreira, Caboclo Lírio Verde e Vovó Maria Conga, além de diversos grupos de curimba e coletivos culturais.

Também estiveram presentes organizações ligadas ao movimento negro e aos povos de Axé, como o Emancipa Axé e a Soweto Organização Negra, além do apoio institucional de representantes do poder público comprometidos com a defesa da liberdade religiosa e dos direitos humanos.

Orgulho macumbeiro

A Federação ATUCO reconhece a importância de iniciativas como a Parada do Orgulho Macumbeiro para o fortalecimento da democracia, da diversidade religiosa e da valorização das tradições afro-brasileiras. Eventos como este contribuem para ampliar o diálogo com a sociedade, combater preconceitos históricos e reafirmar o direito constitucional à liberdade de crença e de manifestação religiosa.


Construída de forma coletiva, a Parada do Orgulho Macumbeiro consolida-se como um importante marco na luta contra o racismo religioso e na promoção do respeito às tradições ancestrais que compõem a riqueza cultural e espiritual do Brasil.



Redação - Federação Atuco - www.atuco.com.br

 
 
 

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