Mãe Su de Nanã leva mensagem de acolhimento e amor à Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo
- ATUCO - NACIONAL

- há 3 dias
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A cidade de São Paulo recebeu, no último domingo, 7 de junho de 2026, mais uma edição da tradicional Parada do Orgulho LGBT+, considerada uma das maiores manifestações de diversidade, direitos humanos e inclusão do mundo.
Entre milhares de participantes, uma presença chamou a atenção pela força de sua mensagem, pela simplicidade do gesto e pela profundidade de suas palavras: a da sacerdotisa de matriz africana Mãe Su de Nanã.
Mulher preta, nordestina, mãe de santo e reconhecida por sua atuação em defesa do acolhimento, da liberdade religiosa e dos direitos humanos, Mãe Su de Nanã participou da caminhada levando uma mensagem que ultrapassou barreiras religiosas, culturais e sociais. Em um momento marcado pela celebração da diversidade, ela escolheu falar sobre algo essencial e universal: o amor, o acolhimento e a importância da família como espaço de proteção.

Uma trajetória transformada em acolhimento
Durante sua participação, Mãe Su de Nanã compartilhou parte de sua própria trajetória de vida. Sobrevivente de uma década de violência doméstica, ela transformou sua experiência de dor em instrumento de empatia e cuidado com o próximo.
Sua caminhada espiritual e social tem sido marcada pelo compromisso de acolher pessoas que enfrentam rejeição, preconceito e exclusão. Ao percorrer a avenida ao lado de milhares de participantes, a sacerdotisa relatou que não enxergava apenas uma grande manifestação popular. Via histórias humanas. Via pessoas que precisaram enfrentar desafios para serem reconhecidas e respeitadas em sua identidade. Via homens e mulheres que carregam marcas profundas deixadas pela rejeição familiar, pelo preconceito e pela falta de aceitação.
O papel da família e da espiritualidade
Sua mensagem emocionou participantes e observadores ao lembrar que muitas pessoas da comunidade LGBT+ ainda enfrentam o afastamento daqueles que deveriam representar seus primeiros espaços de amor, acolhimento e proteção.
Segundo Mãe Su de Nanã, a espiritualidade que orienta sua caminhada ensina que não existe religião verdadeira sem acolhimento. Para ela, todo espaço de fé deve ser um local onde as pessoas possam encontrar respeito, escuta e amparo, independentemente de sua orientação sexual, identidade de gênero, origem social ou trajetória de vida.
A sacerdotisa destacou que sua participação na Parada do Orgulho LGBT+ está alinhada aos mesmos princípios que inspiraram a realização da primeira Parada do Orgulho Macumbeiro na capital paulista: o combate à discriminação, a valorização da diversidade humana e a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Uma mensagem que ultrapassa fronteiras
"Enquanto eu tiver fôlego, ninguém que passar pelo meu caminho vai sentir que não é digno de amor", declarou.
A presença de lideranças religiosas comprometidas com o respeito às diferenças representa um importante sinal de diálogo e construção de pontes em uma sociedade ainda marcada por episódios de intolerância e violência.
Em tempos de polarização e exclusão, gestos de acolhimento possuem grande impacto social e ajudam a fortalecer a cultura da paz.

O compromisso com a dignidade humana
Para a Federação ATUCO, iniciativas como essa reforçam valores fundamentais presentes nas tradições espiritualistas e afro-brasileiras: a valorização da vida, o respeito à dignidade humana e a compreensão de que toda pessoa merece ser tratada com amor e consideração.
Mais do que uma participação em um evento público, a presença de Mãe Su de Nanã representou um testemunho de humanidade.
Uma lembrança de que a espiritualidade, quando vivida em sua essência, não afasta pessoas, mas aproxima.
Não cria muros, mas constrói caminhos. Não julga, mas acolhe.
Em meio às cores, às músicas e às manifestações culturais que marcaram a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, sua mensagem permaneceu simples e poderosa: ninguém deve caminhar sozinho, ninguém deve ser privado do amor e toda vida é sagrada.
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